Oh Stora

OH STORA : ProfMat

sábado, março 31, 2018


No ano passado frequentei, pela primeira vez, o ProfMat. O que é o ProfMat? É um Encontro Nacional de Professores de Matemática, organizado pela APM (Associação de Professores de Matemática), com uma duração de três dias, e que se realiza este ano pela 34.ª vez. Neste encontro podemos assistir a comunicações, debates, simpósios, sessões práticas e exposições, além de todo o convívio que pode ser usufruído entre os professores da disciplina. É, a meu ver, a altura ideal para se trocarem ideias e perspetivas sobre o ensino, sobre os programas e ainda aprender com os projetos que os colegas desenvolvem nas respetivas escolas. Só assim se consegue evoluir, certo?

Tal como disse no inicio desta publicação, frequentei este encontro pela primeira vez no ano passado, tendo-me deslocado até Viseu. Foram três dias intensos e em que aprendi bastante, mais até do que aquilo que se aprende na Universidade. Ali ouvimos histórias reais, ouvimos coisas que realmente aconteceram nas escolas e nas salas de aula, ouvimos professores que estão, efetivamente, no terreno, e não apenas a "teoria da coisa".

A participação no ProfMat em 2017 valeu-me, além da experiência e novas perspetivas, um prémio por ter resolvido um problema que foi proposto aos participantes durante o encontro. Este ano, 2018, no ProfMat que se realiza por Almada, pretendo manter o 1.º lugar adquirido no ano passado e, além disso, tenho a responsabilidade de fazer uma comunicação sobre uma pequena parte do meu Relatório de Estágio. Serão 20 minutos a falar sobre a minha pequena experiência profissional e os primeiros resultados obtidos e analisados do estudo que estou a desenvolver, para professores que têm, possivelmente, tantos anos de experiência como aqueles que eu tenho de vida. É uma responsabilidade enorme, sinto cada vez mais isso, mas sei que é um passo muito importante na minha vida profissional... nunca se sabe as portas que se abrem. Acima de tudo, sei que vou aprender com a minha comunicação e que poderei ouvir sugestões que melhorem o meu estudo e o meu relatório, e isso é, sem dúvida nenhuma, o mais importante nesta etapa.

"Oh Stora" será a secção onde irei incluir os meus pequenos passos ao longo da minha vida profissional.

Ensino

ENSINO : Intervenção Pedagógica

quarta-feira, março 21, 2018


O segundo período está a dar as últimas e com ele termina também a minha intervenção pedagógica. Foi apenas um mês a dar aulas, mas foi sem dúvida o melhor mês de todo o mestrado. Fiquei a sentir, ainda mais, que é mesmo isto que eu quero fazer a nível profissional, e não há nada que pague todas estas certezas.

Neste mês, eu enfrentei uma turma de 11.º ano, com bons alunos em todos os aspetos e que se esforçaram para me ajudar, não só no meu trabalho como professora mas também como investigadora. Sei que são pessoas que vão ficar na minha memória e que me permitiram ter o melhor estágio possível, tendo-me dado a tranquilidade de estar a lidar com uma turma que não me trouxe qualquer tipo de problema dentro da sala de aula.

Implementei um método de ensino diferente do que eles estavam habituados, desafiei-os e envolvi-os naquilo que eles tinham de aprender, não me limitando a dizer "as coisas são assim, e vocês têm de decorar que são assim". Não. Para mim, isto não seria ensinar, por isso não o fiz. Tentei que eles vissem que a matemática não veio do nada, que tudo tem o seu sentido e que praticamente tudo pode ser provado para que não haja a possibilidade de, no futuro, alguém aparecer cá e dizer que andamos toda a vida enganadinhos no que toca a algo desta área.

Além do ensino da matéria propriamente dita, também os desafiei a resolver problemas, que é o que falta demasiadas vezes nas nossas salas de aula. A matemática não é só a teoria nem é só exercícios de aplicação de matéria. A matemática são também os problemas, que podem ser mais ou menos óbvios, mais ou menos complexos, com mais ou menos ratoeiras... mas que nos preparam, mais do que tudo o resto, para o futuro. Trabalha o raciocínio, as estratégias, a atenção, a criação e verificação de novas teorias e descobertas... todo um mundo que, infelizmente, fica por descobrir e que raramente chega aos alunos. É com os problemas que se descobrem talentos, que até podem vir de pessoas que nem percebem nada de matéria, mas que têm um poder mental capaz de nos deixar surpreendidos.

A minha curta experiência terminou. Infelizmente.
Já com alguma nostalgia. Era só isto que queria registar hoje.

Diário

DIÁRIO : A Minha Marca

quinta-feira, março 15, 2018



Passei o primeiro ano de mestrado a ouvir os professores dizerem que tínhamos de deixar a nossa marca durante o nosso ano de estágio. Que tínhamos de andar pelos corredores, estar presente no ambiente escolar para além das nossas próprias aulas. Que as pessoas de lá tinham de se lembrar de nós, mesmo quando o ano de estágio acabasse. E eu, ontem, sinto que o fiz.

Sei que nasci para deixar a minha marca por onde passo. Pode parecer presunçoso, mas só quem não me conhece verdadeiramente é que fica com essa opinião. Quem me conhece sabe que eu nasci para o ensino da matemática, e que o ensino da matemática tem muito a ganhar com a minha presença. Se eu já tinha garantido que os professores da escola notavam a minha presença, o meu empenho e a minha postura, ontem consegui garantir que falarão de mim e de algo que eu fiz durante os próximos tempos (e, quem sabe, os próximos anos).

Ontem, no Dia do Pi, levei o grande Zé Paulo Viana à minha escola de estágio. Claro que as pessoas que não são da área podem não o conhecer. Mas para quem é da área e para quem é apaixonado pela mesma, o Zé Paulo é das pessoas mais fascinantes de se ouvir.

O Zé Paulo é professor de Matemática (digo é, mesmo ele já sendo reformado, porque um professor com aquela paixão nunca deixa de ser professor) e um depósito de problemas. É autor de uma secção de desafios no jornal Público, publicada no jornal de domingo. Já publicou livros com compilações desses desafios e também o livro "Uma Vida Sem Problemas - A Matemática nos Desafios do Dia a Dia", onde escreve coisas capazes de prender a atenção de qualquer pessoa, mesmo quem não gosta da disciplina. E foi com o título de "Matemáticas Impuras", e com algumas secções desse livro, que ele brindou Guimarães com uma palestra, onde alunos e professores se puderam deslumbrar com coisas que ainda não tinham visto, e rido de coisas absurdas que envolvem Matemática. Todos riram, pensaram, questionaram e, certamente, passaram a ver a Matemática com outros olhos. Talvez um pouco mais com o brilho que eu própria a vejo.

Não foi a primeira vez que o Zé Paulo veio a Guimarães. Mas foi a primeira vez que foi àquela escola. À minha escola de estágio. E saiu de Lisboa, com destino a Guimarães, apenas com esse objetivo: o de me fazer o imenso favor de abrilhantar o meu ano de estágio com a sua presença.

Estarei eternamente grata a este senhor. E, com ele, consegui deixar uma marcar ainda maior.

Diário

DIÁRIO : O Dia de Amanhã

terça-feira, março 13, 2018


Regressar a este mundo não tem sido fácil. O tempo não estica, infelizmente. A minha intervenção no estágio começou no mês passado, a quantidade de explicações tem aumentado, e entre isso, corrigir testes, preparar aulas e ainda um outro projeto em que me meti recentemente, tem sido complicado haver o tempo necessário para me sentar ao computador e voltar a ganhar o hábito de aqui escrever, como acontecia no passado.

Mas eu quero registar coisas. Quero registar as minhas conquistas, que eu sei que serão muitas. Quero passar para esse lado um certo "bichinho da matemática", com possíveis desafios e curiosidades. Quero ter um local onde possa registar possíveis aventuras da vida de uma professora. E, para isso, o hábito tem de regressar.

Amanhã será um dia importante. Intenso. E queria deixar isso escrito.

É amanhã que terei a minha última aula assistida do estágio. Depois dos 90 minutos de amanhã, a minha nota de estágio fica praticamente definida, sem forma de conseguir fazer melhor numa outra oportunidade... esta é a última oportunidade! E eu, como já aconteceu nas duas outras aulas assistidas, vou arriscar. Vou dar uma aula onde tudo pode acontecer. Onde pode correr tudo mal ou tudo bem. Onde dependo, acima de tudo, do desempenho dos alunos e não do meu. Onde irá reinar, a todo o instante, o improviso. E isso, apesar de ser um desafio que eu aceito de bom grado, é, ainda assim, aterrorizador.

Mas isto é só o que acontecerá até às 10h da manhã. Depois disso, há um longo dia pela frente. Um dia que anseio desde que iniciei o meu ano de estágio.

Universidade

UNIVERSIDADE : O Estágio

terça-feira, fevereiro 27, 2018


Muitos são os cursos universitários (e até antes de lá chegar) que incluem estágios curriculares. Isso não é novidade, todos já ouvimos falar no assunto, mesmo que seja com pouco pormenor, mas nem todos passamos por essa fase. Pessoalmente, só agora, no meu segundo ano de mestrado, é que sei o que é ser estagiária, uma vez que o meu percurso académico até aqui não tinha essa componente. Assim, no início de outubro do ano passado, comecei, finalmente, o meu ano de estágio! E, tal como eu previa, está a ser, para mim, o ano de transição entre a Kiara-aluna e a Kiara-professora, já que estou nos dois lados da moeda em simultâneo.

Apesar de todos termos alguma noção do que pode ser um estágio (uma espécie de preparação para o mundo do trabalho no ramo em que estamos, ou pelo menos deveria ser isso), cada estágio é diferente e cada ramo pode proporcionar experiências diferentes. Muitos de nós temos aquela ideia de "se te esforçares no estágio, os patrões podem gostar de ti e ficas lá a trabalhar"... e sim, isto pode realmente acontecer em muitos casos.

O meu estágio permite-me acompanhar o trabalho de um professor do ensino secundário, tendo a oportunidade de contactar mais de perto com a profissão e com os seus desafios, mas tudo no setor público. Ora, como todos devem saber, os professores do ensino público são contratados através de concursos a nível nacional, e não pelos diretores das escolas, o que significa que o meu estágio não me dá, de todo, passagem facilitada para trabalhar naquela escola, ou em qualquer outra. O máximo que pode acontecer é eu ter uma boa nota no estágio, que se reflete depois na minha média (e mesmo uma boa média não garante nada, pois estamos em desvantagem perante aqueles que têm muitos anos de serviço), ou algum dos professores conhecer alguém de escolas privadas e "dar um toquezinho" - chamem-lhe cunhas, se quiserem, mas nestes casos eu chamo apenas de reconhecimento.

Por isso, no meu estágio, não tenho aquele rebuçado do "emprego certo" no final, por muito que me esforce. No entanto, depois de ter dado duro para ter boa média numa licenciatura que não me serve de rigorosamente nada a não ser como pré-requisito para o mestrado, estou a fazer o mesmo ou ainda mais num estágio onde está tudo por aprender e onde o maior objetivo é deixar a escola marcada. Quero que, nos anos seguintes à minha passagem por cá, todo o corpo docente se recorde "daquela estagiária". Até podem não saber todos o meu nome, mas todos saberão do meu esforço e dedicação para ir além daquilo que era estritamente necessário.

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