LEIO, LOGO EXISTO : In Sexus Veritas [Opinião]

sexta-feira, setembro 25, 2015


Venho, finalmente, falar-vos do que achei sobre a obra In Sexus Veritas, de Pedro Chagas Freitas - essa coisa enorme com mais de mil e trezentas páginas - que me foi generosamente oferecida pela Chiado Editora!

Julgo que basta verem as maravilhosas citações que fui publicando (aqui) para ficarem com uma certa curiosidade pelo que vos espera ao longo do livro. Mas, ainda assim, resolvi dar a minha opinião - posso desde já dizer que, genuinamente, adorei!

Quando comecei a ler o livro, pensei que seria daqueles que me ia obrigar a mim própria a ler até ao fim. Achei que teria de vos vir dizer que não tinha gostado, que estava desiludida, que afinal iria continuar sem entender o porquê de toda a gente falar no meu conterrâneo Pedro Chagas Freitas (que, por acaso, até faz anos hoje... parabéns Pedro!). Não podia estar mais errada!

No início, não é muito fácil de entrar no "espirito de leitura" que o autor nos proporciona. É inevitável fazer uma comparação com José Saramago no que toca à pontuação tão pessoal e que tanta estranheza me causou ao início. Como li em algumas críticas, para ler Pedro Chagas Freitas é preciso "estar para aí virado". Foi o que me aconteceu, até que entrei no ritmo e foi "sempre a andar".

Neste livro, encontramos 7 personagens principais e à volta das quais se desenrola toda a história. Temos Jesus Cristóvão - um trolha homossexual, gozado por todos, generoso e que procura encontrar "a sua pessoa", o amor -, João Judas - o que lhe vou chamar... bruxo, talvez? Vidente? Algo assim -, Ary Solvir - um jogador de futebol e filósofo -, Filipe Momó - um humorista -, Cátia Cassandra - uma prostituta -, Fifinha Proust - uma professora, doutorada em filosofia, que está desempregada e passa a ser uma "prostituta de alma" - e, por fim, Aníbal Leites - um assassino desinspirado. Parecem personagens tão diferentes, que nunca pensei como é que elas se iriam cruzar... mas o certo é que isso aconteceu, e não foi de uma forma nada forçada, como em alguns casos acontece! Foi tudo de uma forma natural e com sentido, o que me agradou imenso!

Não posso falar muito sobre o livro sem ser spoiler... mas há algo que tenho mesmo de dizer! Ao começar a leitura, dei por mim a pensar "Bem, isto tem semelhanças com a forma como a Bíblia é escrita" - não que eu tenha lido a Bíblia, apenas pelo que ia ouvindo o padre ler na missa. Não sabia porquê, mas sentia essa ligação - e um facto é que sempre me perguntei se "Jesus" e "Judas" como nomes de personagens não seria mesmo propositado para fazer alguma ligação a isso. No final (esse que eu tanto aguardei e que achei que me poderia desiludir... que também não aconteceu!), reparei que não podia ser impressão minha e que se confirmavam as minhas suspeitas - havia uma subtil relação entre as duas coisas, e o último capítulo só deu ainda mais sentido a toda a história que ficou para trás!

O autor conquistou-me... agora é só escolher qual será o próximo!
Ah, e esperar por uma sessão de autógrafos por cá!

Já leram? Curiosos? Contem coisas!

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