OH STORA : Intervenção Pedagógica

quarta-feira, março 21, 2018


O segundo período está a dar as últimas e com ele termina também a minha intervenção pedagógica. Foi apenas um mês a dar aulas, mas foi sem dúvida o melhor mês de todo o mestrado. Fiquei a sentir, ainda mais, que é mesmo isto que eu quero fazer a nível profissional, e não há nada que pague todas estas certezas.

Neste mês, eu enfrentei uma turma de 11.º ano, com bons alunos em todos os aspetos e que se esforçaram para me ajudar, não só no meu trabalho como professora mas também como investigadora. Sei que são pessoas que vão ficar na minha memória e que me permitiram ter o melhor estágio possível, tendo-me dado a tranquilidade de estar a lidar com uma turma que não me trouxe qualquer tipo de problema dentro da sala de aula.

Implementei um método de ensino diferente do que eles estavam habituados, desafiei-os e envolvi-os naquilo que eles tinham de aprender, não me limitando a dizer "as coisas são assim, e vocês têm de decorar que são assim". Não. Para mim, isto não seria ensinar, por isso não o fiz. Tentei que eles vissem que a matemática não veio do nada, que tudo tem o seu sentido e que praticamente tudo pode ser provado para que não haja a possibilidade de, no futuro, alguém aparecer cá e dizer que andamos toda a vida enganadinhos no que toca a algo desta área.

Além do ensino da matéria propriamente dita, também os desafiei a resolver problemas, que é o que falta demasiadas vezes nas nossas salas de aula. A matemática não é só a teoria nem é só exercícios de aplicação de matéria. A matemática são também os problemas, que podem ser mais ou menos óbvios, mais ou menos complexos, com mais ou menos ratoeiras... mas que nos preparam, mais do que tudo o resto, para o futuro. Trabalha o raciocínio, as estratégias, a atenção, a criação e verificação de novas teorias e descobertas... todo um mundo que, infelizmente, fica por descobrir e que raramente chega aos alunos. É com os problemas que se descobrem talentos, que até podem vir de pessoas que nem percebem nada de matéria, mas que têm um poder mental capaz de nos deixar surpreendidos.

A minha curta experiência terminou. Infelizmente.
Já com alguma nostalgia. Era só isto que queria registar hoje.

5 comentários

  1. Pelo que li, adoraria ter-te tido como professora :)
    Muito boa sorte para as próximas fases.
    Beijinhos!

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  2. Envolve-los no processo será sempre muito mais benéfico, porque, para além de compreenderem melhor os conceitos, sentem-se integrados e percebem que a visão deles é tida em conta.
    É tão bom quando temos uma experiência tão gratificante *.*

    r: Há sempre esse "risco". E é totalmente válido uma pessoa experimentar, perceber que não se identifica e optar por desistir.
    Quando existem esse tipo de comportamentos, é meio caminho andado para desmotivarmos e não termos vontade de ir. E quando tens uma vida tão cheia, como acabaste de partilhar, é claro que a praxe não é uma prioridade. Mas é como tu dizes, se fosse diferente, se calhar fazias um esforço.
    Tenho mesmo pena quando percebo que esses maus exemplos afastam por completo as pessoas, porque a praxe devia ser algo divertido! Sim, é verdade, há de tudo, como em todo o lado

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  3. eu gostava muito de matemática e acho que fazem falta professores como tu, gente com ideias novas e que puxa pelos alunos em vez de gente cansada (ok, sem culpa nenhuma mas pronto) que se limita a debitar matéria e quem entendeu entendeu, que não entendeu paciência.
    beijinhos :) https://ratsonthemoon.blogspot.pt/

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  4. Se tivesse tido uma professora de matemática como tu talvez tivesse gostado mais da disciplina. Agora enquanto educadora tento que eles vejam a matemática como uma brincadeira e trabalho-a no dia a dia, em situações simples. Porque é assim que deveríamos aprender tudo: sem preocupações e pressões.

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  5. Concordo com a Catarina :)
    Eu no 10º apanhei um prof ja velhote, eu burra como sempre fui a matemática e ele sem ajudar em nada. Graças a Deus, semanas depois das aulas começarem acho que se reformou porque veio uma prof nova na escola e em idade. Ficou connosco no 10º e 11º (no 12º já não tínhamos matemática no meu curso), só sei que no 11º a minha média final foi de 16 por isso acho que resultou o método de ensino dela. Os "Sabichões" achavam as aulas dela seca mas os que tinham mais dificuldades, como eu, conseguiram todos passar à disciplina.

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